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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Curvas

Completei hoje um mês morando sozinha. Entre xícaras de bolinha e momentos de paz e silêncio, completei uma etapa da minha vida. Em comemoração adotei mais uma gatinha, pra fazer companhia pra minha bravinha Panci, que passava muito tempo forever alone em casa. O nome escolhido combina com o quanto ela é voluntariosa, cheia de vontades e corajosa: Arya. (em homenagem à Arya Stark, veja bem). 

Fico me questionando, às vezes, se faz bem viver pra objetivos. Eu tinha esse, de morar sozinha, ter meu canto, minha casinha, há tanto tempo que perdi as contas. Agora eu consegui realizar ele e nada me faz mais feliz do que falar "vamos lá em casa que eu vou cozinhar" pras pessoas queridas. Agora vamos ao próximo, é a frase que martela minha cabeça. 

Da curva não sei mais nada. Penso que às vezes, a gente acha que vai chegar no fim da estrada quando realiza algo grande na vida. Mas me sinto ladeando essa curva, e alguma coisa maravilhosa me espera no fim, ou assim eu tento pensar. Eu sei que a jornada é tão importante quanto a chegada. E por isso vou suave. 

Esperando por mais curvas. 

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Eu quero ser escritora.  





sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Qualquer dia...

Qualquer dia eu vou acordar e te ver ressonando do meu lado, dormindo tranquilo porque seu sono é bem mais tranquilo que o meu. Eu me debato, resmungo, falo dormindo mas você não, então eu sinto, e sempre senti, que é como se você guardasse meu sono, me protegesse, me mantivesse segura quando eu cruzo as fronteiras do subconsciente, esse mundo aterrador onde as lembranças se transformam de uma forma nunca segura, sempre traiçoeira. 

Mas eu me sinto segura qualquer dia quando acordo ao seu lado. 

Qualquer dia eu vou ouvir você me contando sobre seu telescópio e sobre as coisas que você gosta, e sobre seu livro sobre guerras mundiais, e sobre seu seriado favorito que eu vou assistir. E você fala com paixão e ri da minha cara quando eu falo que seus gostos são engraçados, e me abraça dizendo que a minha banda favorita é tosca, depois de encher meu computador de música que você gosta. 

Qualquer dia você vai chamar a minha gatinha de gorda e vai fazer carinho do jeito exato que ela gosta, de uma forma que eu eu nunca vi ninguém fazer. E vai achar engraçado que ela goste tanto de você e fique te seguindo pela casa de um lado pro outro, miando, pedindo atenção, dizendo que ela é linda e engraçada e se parece comigo. 

Qualquer dia ela vai se aninhar em você pra dormir, porque assim como eu ela ama o seu calor. 

Qualquer dia eu vou comprar cada ingrediente do seu prato favorito com carinho, vou pegar minha panela favorita e vou cozinhar com toda a paixão que puder reunir em pimenta e sal. E vou te olhar comer e elogiar aquele prato que fiz, como se a comida que eu preparei pudesse traduzir tudo que eu sinto em demasia. 

E qualquer noite vou cutucar você com a ponta do meu pé por debaixo da mesa do restaurante chique, sem ninguém perceber, arrancando um sorriso de você enquanto você estende a mão e percebe que eu tirei o sapato quando alcança meu pé com as unhas escarlates. Sinto sua mão quente acariciando minha pele, quando você estende sua mão sobre a minha por cima da mesa de linho.  

Qualquer dia vai doer menos. Mas nunca vai ser menos amor. 


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Lar doce

"Casa" é a designação, o significado, a roupagem, o começo-meio-fim de um sentimento intenso de paz e sossego.

Para mim, e apenas para mim, é um todo palpável.

É um abraço que envolve seu corpo inquieto e que no momento do toque faz você transpirar calma de uma forma que você não pensasse possível.

É um momento de assistir televisão de pernas para cima, rindo de alguma coisa boba em um filme, onde não existem preocupações urgentes. É o cheiro de alho fritando na panela da cozinha enquanto pessoas queridas riem na sala.

"Casa" é chegar, abrir a porta, e uma felina se enroscar nas suas pernas te dando boas vindas com um miado fininho e alegre de saudade.

É você saber que cada coisa que está fora do lugar, na verdade, está no lugar que sempre deveria ter estado, porque tudo aquilo é você e seu lugar é ali. Apenas ali.

E tudo que te amargura e que te entristece deve ficar do lado de "fora". E quando você está ali na sua "Casa", você trabalha seus sentimentos de forma a criar aquela couraça pra lidar com seus medos quando pisar o pé lá "fora". Pra que, um dia, o "fora" não exista.

Só a "Casa".


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Eu era uma blogueira brasileira


Não me lembro bem quando eu decidi criar um blog. Acho que eu li uma matéria em alguma revista sobre o mundo revolucionário dos 'WEBLOGGERS' e pensei "dels, o que será isso?". Na época eu devia ter uns 12 anos de idade e uma internet discada daquelas que só podia ser acessada depois da meia-noite porque, segundo minha Mamai, era CARO, CARO DEMAIS. E no fim de semana era conexão o dia todo, olha que beleza. Sábado era dia de ficar ~paquerando~ no mIRC e preparando postagens e templates. 

Eu criei minha primeira conta no site Blogger Brasil. Nunca parei pra pensar direito nisso, mas a Blogger Brasil era a correspondente brasileira da Blogspot, ou Blogger.com, serviço que eu uso hoje mas que na época era dificil de usar, eu não entendia nada. Foi assim que me apaixonei por esse cantinho e descobri uma coisa ~aloc~ chamada HTML. E depois Photoshop. E depois comentários. Aos 15 anos eu era membro de uma vasta comunidade de bloggers, nossos diários da vida cotidiana, onde eu chorava a morte do meu hamster e xingava a minha irmã que tinha gritado comigo naquele dia. E as pessoas comentavam. Não tinha essa de ganhar dinheiro com blog. E o pessoal migrava aos poucos pra outros serviços, mas eu não, eu fiquei na Blogger Brasil. Até a Globo comprar e ser pago. 

Hoje, sem querer, digitei a url da Blogger e coloquei um .com.br no final. O site está lá, gente. Intocado. Os mesmos links de 2008, e lembrei que parei de usar o serviço em 2009. Se você clica em muita coisa dá erro, mas pensa, esse site é uma relíquia e está lá. Me deu saudades, nostalgia, de um tempo que nossa vida se passava dentro de uma micro-comunidade "blogueana", onde eu desabafava minhas peripécias adolescentes com esmero e muita atitude revolts. Tudo isso antes de eu gostar de jornalismo, de gatos. Eu ainda namorava, estudava pro vestibular, tinha banda, não tinha meu próprio quarto. Não tinha comido gelato de pistache, não conhecia São Paulo, não tinha visto o Queens of the Stone Age tocar. Estava lendo Sandman na madrugada boladona. Estava cheia de medos de virar adulta. Essa última questão ainda persiste.  

Tentei rastrear meus passos no Blogger Brasil e meu último blog por esse serviço ainda está lá! é um baú, um sarcófago, um navio naufragado cheio de tesouros. Obrigada, Globo.com (?) por manter esse site no ar. Se você quiser dar uma espiada tardia na minha adolescência (porque nesse último blog eu já tava na faculdade), clica aqui: Tecla Maldita (meu bloguxo s2). Acho que a Blogger Brasil é um cantinho empoeirado e muito querido da internet. Pelo menos pra esta que vos escreve. Tchorei de sdds de 2008. A vida parecia (e de certo era) mais fácil. /nostalgia 

PS: Depois, prometo, volto pra escrever sobre a aventura no Festival de Cinema de Gramado. Foi massa, foi lindo, foi Kikito. Bejs!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Alor mundo

A garganta doeu muito e parecia travada quando acordei hoje de manhã. Foi como se todo o peso de inúmeras coisas tivesse caído, finalmente, sobre o meu corpo. Mas como num mantra inquebrantável, a gente levanta, bate um cabelo pro lado, dá uma esticada nas costas (toma umas dose de tequila) e vai trabalhar. 

Pois bem, desabafo número um: tô saindo da casa dos meus pais. A conta matemática que resultou nessa decisão é bem simples: 25 anos de idade, um emprego ok, muita vontade de deixar várias coisas pra trás (agora é aquele momento que eu viro e falo "vamos beber que eu te conto". O dia que eu fundar o Bar da Lyrinha pfvr não reclamem). Tô juntando panelas usadas, armários de doação, coisas que as pessoas que me rodeiam não querem ou não precisam mais. Manda pra cá, realmente tô sem nada e aceitando o que vier. Passamos uma mão de tinta e pronto, ficará lindo na casinha. A casinha já existe, está tudo certo, apenas esperando eu levar a matula e o gato e começar a habitá-la. A mudança está prevista para a fatídica data de 13 de setembro. Já tenho até cafeteira que ganhei e fiquei muito feliz <3. Reflexão é que tenho pessoas muito fodas ao meu redor, e inclusive até geladeira e conjunto de pratos ~náuticos~ (sente o amor puro) eu ganhei. 

Desabafo número dois: amanhã eu tô indo viajar pra cobrir o Festival de Cinema de Gramado. Apenas um derradeiro comentário: será lindo. 

Desabafo número três: mesmo cansada e doente estou verdadeiramente inquieta. A vida anda meio doida por aqui. Doida e Doída. Chega o fim do dia eu penso na minha cama e no quanto quero dormir uma noite completa. Madrugada alta e meus olhos estão abertos no escuro. Eu devo funcionar ao contrário. 

PS: Depois de 4 anos trabalhando sem parar, setembro tô de férias. /tchorando de emoção.