sábado, 20 de abril de 2013

Desacelerando


Eu nunca pensei que me veria como workaholic. Sempre fiz as coisas no meu tempo, na minha velocidade, do jeito que me apetecia. A vida toda me criticaram por isso "só faz as coisas a hora que quer". Eu não entendia muito bem o motivo de isso ser errado. Só sabia que, se as pessoas queriam algo de mim, algo criativo (um texto, um layout, um conselho), que eu precisava fazer aquilo no meu tempo. 

Quando comecei a trabalhar na área do jornalismo, comecei a ver que eu poderia ser "multitarefada". Sempre gostei de fazer 17 coisas ao mesmo tempo, e esse é um tempo meu também. Ano passado eu trabalhei muito, muito mesmo, porque diagramava, entrevistava, assessorava porta-voz, fazia layouts, mandava e-mails, despachava press-kit pra jornalista, pautava. Sem falar nos eventos à noite, sapatinho e terninho, esconder o rosto cansado com maquiagem. Eu gostava e aprendi um bocado. Mas então resolvi que precisava de mais. Aí fui escrever pra uma revista. 

Acho que meu texto é muito mais solto hoje por causa da revista. Aprendi mais um bocadão. Mas agora, as coisas estão um pouco diferentes. Minha rotina mudou muito, meu trabalho ficou mais longe de casa, isso exclui as janelas de tempo que tinha. Não coloco mais terno, agora vou trabalhar de bota se quiser. E não faço mais nada de editoração gráfica, apenas apuro, entrevisto e escrevo. Mas mesmo assim, não sobra tempo. 

A atividade que sai do mecânico para o essencialmente criativo, é muito mais exaustiva do que se pode pensar. Saio do jornal com a cabeça em fogo. Se escrevo sobre algo que amo, o exercício se torna mil vezes mais prazeroso, e isso acontece com bastante frequência. Se não, é muito mais desgastante, mas de um jeito bom, não nocivo. Mas me exaure, me suga. Chego em casa e não consigo mais escrever pra mim, que é, penso eu com meus botões, o exercício mais importante de todos. 

Percebi que chegava e não ia jantar, tomar banho, sair e beber uma cerveja. Não ia escrever bobagem, ficar com a Panzinha entre os braços, tocar violão. Eu chegava, ligava o computador, e ia trabalhar. Ia pesquisar, mandar e responder e-mail, ligar para mais uma dezena de fontes, entrevistar. Meus pais chegando do trabalho, indo no meu quarto conversar comigo, e eu estava lá, absorta. Quando eu finalmente largava o osso, eles já haviam ido dormir. 

Minha alimentação só presta na hora do almoço, porque a comida do refeitório do jornal é ótima. De noite, eu basicamente como miojo ou algum delivery. Porque não tenho saco de ir no mercado, e preciso trabalhar. Na véspera de ir para São Paulo, ao invés de arrumar a mala e descansar de três semanas muito complicadas de trabalho, eu estava lá, me forçando a trabalhar, com meus prazos todos atrasados. Dormi umas 4 horas antes de pegar o avião. 

Aí semana passada, uma banda de stoner rock ia tocar aqui em Campo Grande, na sexta-feira. Eu prometi pra todo mundo que ía, porque ultimamente o que mais ouço é "você sumiu Lyrinha". Eu sumi, mesmo, porque estou sempre muito cansada pra qualquer coisa. Nesse dia, sai do jornal animada, dizendo que ia mesmo sair e beber umas, combinei com meus amigos e tudo mais. Cheguei em casa cansada como sempre, com as mesmas olheiras fundas. Então, pensei, "vou deitar um pouco até a hora". Acordei madrugada alta. Meu corpo se desligou, pediu arrego. Não houve despertador, ligação ou chamado que me acordou. 

Então por tudo isso, acho que chegou a hora de desacelerar. Quero também me dedicar mais ao blog, aos meus gatos, às minhas letrinhas e ao mestrado que eu quero fazer no final do ano. E que eu possa fazer as coisas cada vez mais no meu tempo.

Gatos nos ensinam: o ócio é importante.

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