terça-feira, 11 de julho de 2017

Do chão não passa

Hoje acordei com essa sensação. De que não importa se você salta da ponta do penhasco, ou da beirada do oceano, ou da última nuvem antes do purgatório: do chão não passa.

Eu sou só uma menina que não chegou a três décadas de vivência, então o que eu sei, não é mesmo?

Eu não sei de nada. Nada mesmo. 

O que eu sei é que os anos foram passando e eu fui ficando mais calejada, de várias situações. A primeira vez que eu lidei com uma traição, uma separação brusca, meu deus. Eu achei que eu ia morrer.

Acho que eu morri um pouco. Depois a gente ressuscita, e segue o jogo.

Mas eu realmente achei que ia morrer, e digo fisicamente mesmo. Achei que meus sentidos iam explodir, ou pelo menos implodir. Um prédio condenado ruía dentro de mim. Nossa, como doeu. Doeu demais. Deixei um pouco daquela menina alegre e inocente por lá.

Na segunda vez, olha, foi tão foda quanto a primeira. Mas nada nem se compara à última.

Mas dessa vez, nem senti vontade de morrer não. Eu só queria engolir em seco, cuspir cacos de vidro, e seguir em frente.

Do chão eu não passei. Realmente. 

Não importa o que aconteça, e quantas vezes as pessoas te decepcionem profundamente na sua cara; você sacode a poeira, as lágrimas partidas, e segue em frente. Talvez dê passos mais lentos. Talvez decida percorrer o trecho sozinha. Mas só segue, somente isso. Sacode a poeira, passa um batom vermelho, sorri um pouco mais quebrado, e segue em frente.

Afinal, do chão você não passou. Só levanta e anda.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Menina uva

Há mais de um ano que não apareço aqui. 2016 foi um borrão que passou por mim e eu nem percebi. Aconteceu coisa pra caralho. E esse blog meio que contou uma parte dessa história, todos esses anos.

Como eu cresci. Como eu criei uma casca bem grossa.

Tão grossa que acho bem difícil alguém perfurar. Eu, minha casca, meus cabelos cor de uva.

Panci se foi em 2015. Ainda sinto muita falta dela.

Hoje estão comigo: Ninica, Chiq e Nana. Muito amor felino.

Eu mudei de casa. Hoje moro na casinha dos sonhos. Que bom que eu tenho isso pra me acalentar. Porquê o resto... foi só um remendo de ilusão que me arrastou por anos.

Mas acabou. Como tudo na vida.

Eu amadureci? Pergunto pra mim mesma.

Meus cabelos de menina de 15 anos dizem que não. Mas tá tudo bem agora, quando eu escolho amar eles, entre tantas coisas que eu amo muito mais hoje do que ontem, em mim mesma.