Me faltou um pouco de coragem pra falar da morte do Gabo. Ele é meu autor favorito. Não tem outra pessoa na ~listinha~ no número um. É claro que gosto de centenas de escritores e escritoras, mas ele... doeu.
A televisão da redação ligada na Globo News. Eu concentrada na edição das páginas do dia. E alguém vira e fala "Gabriel Garcia Marquez morreu". Meu grito cortou a redação e eu fiquei em pé num rompante. Os olhos ficaram meio úmidos. Cabeça ficou zonza. As pessoas vinham falar comigo coisas cotidianas e eu não conseguia assimilar. "Deu no El País", alguém completou.
Abri imediatamente a notícia e li assiduamente. Um longo obituário. Continuava doendo. Abri imediatamente o bloco de notas e comecei a escrever a minha última homenagem à Gabo. Virou uma matéria:
Cheguei em casa pensando em falar pro meu pai: "Pai, o Gabriel morreu". Ele ia entender na hora, porque esse é nosso maior e melhor vínculo. Meu pai me deu um livro velho e encardido chamado "Cem anos de solidão" pra ler quando eu tinha 13 anos de idade. Eu conclui a leitura em pouco mais de três dias, numa tarde chuvosa e cinza como qualquer uma daquelas em que choveu anos sem parar em Macondo.
Eu nunca mais fui a mesma depois que li esse livro. Isso eu sempre tive muito claro pra mim. Sei que, quando ele partiu, choveu novamente em Macondo. Borboletas amarelas pousaram no resto túmulo de algum Buendía que sobrou do furacão.
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O adeus a Gabo
Postado por
Lyra
às
15:36
0
comentários
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Marcadores:
Literatura
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Minha e nossa Cidadela
Há três meses atrás eu não fazia a menor ideia do quanto a gente pode fazer um pouquinho mais pelo que acreditamos. Foi quando a Sybylla e a Aline Valek me convidaram para um projeto um tanto inusitado: escrever Ficção Científica Feminista.
Mas ein?
Não tenho nem como explicar isso melhor que a Sybylla, vejam aqui.
O caso é que unimos forças, dez autores e autoras com um único objetivo: escrever contos onde a mulher fosse destaque. Quem gosta de FC sabe que, muitas vezes no gênero, a gente não passa de objeto decorativo.
O desafio: criar protagonistas que lutassem contra sexismo, homofobia, racismo, misoginia. E mais, que interagissem de forma justa, igualitária. Que fossem reflexo do que acreditamos na vida real.
E foi árduo. Eu comecei com uma ideia, mudei tudo, voltei ao início, pedi socorro à Sybylla. No final, meu conto, "Cidadela", fala sobre uma coisa que sempre me incomodou. Além das outras questões que a gente aborda - a falta de tutela da mulher sobre seu corpo, opressão, preconceito - eu quis juntar não uma, mas duas protagonistas. A vida inteira eu tive mulheres que me foram muito importantes, minhas amigas, em quem eu confiava. Então para mim sempre foi estranho me dizerem que amizade entre mulheres não existe. Existe, sim. Chamar a colega de puta, criticar as mulheres por qualquer postura, achar que não se pode confiar em uma mulher - apenas por ela ser mulher - é uma visão impingida pelo machismo.
Por isso concebi duas personagens centrais.
Irina é a primeira. Ela é uma mulher oprimida por um sistema que domina tudo (sim, meu conto é uma distopia). Ela é violentada de todas as formas possíveis, jogada ao vento, descartável como muitas mulheres são.
Luisa é a segunda. Ela nasceu em berço nobre, mas seu lugar é a rua. É uma guerrilheira capaz de lutar, de ser invisível ou grandiosa quando quer. Elas percebem, durante a narrativa, que a única forma de vencerem é se unirem. E elas fazem isso naturalmente, porque são mulheres. Sem julgamento. Sem desconfiança. E é a união delas que vai mudar tudo.
Então pra você conhecer esse e mais nove contos (que nossasinhora, me fazem ficar arrepiada até hoje), basta clicar aqui: Universo Desconstruído. Dá pra baixar em diversos formatos, e de graça, apenas com o PagSocial! Ah, e dá pra comprar o livro via Clube dos Autores! não é lindo? aliás, a ilustração também tá de arrepiar.
Tô realmente muito orgulhosa de ter feito parte disso. Espero que vocês também fiquem. Luisa e Irina agradecem. :)
PS: Algumas meninas feministas no twitter pontuaram que, ao escrever Ficção Científica Nacional e Feminista (tudo em caixa alta, veja bem), a gente "despolitiza" a causa. Não respondi porque não tenho mais twitter. Só queria dizer que ela entendeu tudo errado. A gente quer é começar com a prática, mesmo. Quer mais autores, mais debates, quer desconstruir um universo masculino e fomentar boas discussões. Por isso, para essas pessoas que olham com desdém, leiam a coletânea antes de falar qualquer coisa. Ou esse post da Sybylla.
Assinar:
Postagens (Atom)
