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domingo, 5 de maio de 2013

Essa saudade do cinza


Minha memória me trai, mas é preciso continuar.

Eu precisei passar alguns dias em São Paulo pra entender porque se ama e se odeia aquele amontoado de prédios, viadutos e gente, muita gente. E descobri de uma forma intensa. Decidi que amo, da sujeira às vitrines brilhantes. 


Não falei ainda do show do Queens of the Stone Age no Lollapalooza porque chega que a saudade dói profundamente. Se 2013 começou triste e sem graça, aquele instante do show foi o momento do ano até então. Eu queria que a minha vida fosse um eterno show de Josh Homme e trupe, um loop eterno, e eu vivesse aquele momento sem parar eternidade afora. Do it again. Do it again and again. 

(Destaques do show, na minha opinião: Burn the witch, que teve coro da plateia antes de começar, Hangin' Tree que eu chorei do começo ao fim e My God is the sun, a do disco novo tocada em primeira mão - algo como world première). 


Já fez um mês. No hostel da Vila Mariana, aquele lugar bucólico perdido no meio de outros labirintos, me senti em casa, mas na verdade minha casa era o mundo. Conheci israelenses, cariocas, paulistanos, gente do Acre e do nordeste inteiro, e uns dois americanos. Todos os dias eu saia de lá em busca de ver mais, muito mais. Entre quase ser prensada na porta do metrô, conhecer o caos de barracas que é a Rua 25 de Março e tomar café israelense, conheci a famosa Rua Augusta, em uma sexta-feira.

É claro que a gente parecia dois caipiras no meio da confusão, e eu me sentia a menina mais inexperiente do universo. Pessoas na calçada, bares em pequenas portas, mundos inteiros à parte. São Paulo e seu clima frio à noite me permitia sair de jaqueta de couro, e incrivelmente, ninguém reparava em mim com olhos espremidos, como quase sempre acontece. Eu era mais uma, eu era invisível, e eu adorei isso. 

Comemos em botequins, vimos surrealidades na Praça da Sé e na Galeria do Rock. Conheci duas amigas muito queridas que eu só havia visto pela tela do computador, andei por bares charmosos e jantei comida espanhola, tapas & tortilla. Tomei erdinger em outro boteco, experimentei cheiros e sabores como nunca. Esqueci que meu aniversário é um dia odioso e me permiti ficar feliz por ser 31 de março. Andei nas ladeiras da Augusta até os pés reclamarem.

E voltei pra cá.  

Voltei pra uma cidade que eu teimo em querer deixar. Voltei para a parte boa, meus amigos e minha família, meus gatos. E para a parte ruim, também. Eu insisto em querer ir embora porque não quero morrer enterrada pra sempre no meio do Pantanal. Um dia eu rompi as paredes da bolha em que vivia, e pra lá eu não volto mais, pra uma vidinha mais ou menos, eu não volto. Preciso romper agora os limites físicos. 

"Você é a cara de São Paulo, menina, em um bom sentido!" - me disse uma amiga de lá. Poucas vezes eu me senti tão lisonjeada. 

São Paulo, eu te amei e sinto imensamente a sua falta. 






sábado, 16 de junho de 2012

Shake me down

E quando eu fico triste da forma mais profunda, eu me lembro do que senti no dia 07 de abril de 2012.

O sol bem no topo da cabeça, ardendo sem dó, e a música muito alta. Eu ali, perto do palco, no show do Cage em São Paulo e uma felicidade avassaladora me invadindo como uma onda. E se me recordo com clareza, não havia ninguém no pensamento naquele momento. Não havia ninguém além de mim mesma e nenhum sentimento sobre qualquer pessoa, exceto que, 'olha onde eu estou, e o quanto eu sinto transbordar dentro de mim', e eu não conseguia deixar de pensar que podem me quebrar mil vezes que eu volto em todas.

E eu olhava ao redor e dançava e ria e sorria sozinha e transbordava, e era eu e a grama e o palco e o universo, era as mãos levantadas em todas as músicas e o céu cheio de nuvens, o ritmo e o frenesi. E olhava pros meus amigos gargalhando e pulando, e sorria para as pessoas ao redor, e poucas não sorriram de volta.

Naquele momento, eu sentia que podia fazer qualquer coisa na minha vida. E eu sei que posso. E eu sei que não quero menos do que aquilo que transborda e me faz sentir viva e queimando. Pelo menos essa certeza eu tenho. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Little Conquerors @ Lollapalooza 2012

Voltei do Lollapalooza, e voltei viva, e mais, me sentindo uma conquistadora dos sete mares, a desbravadora em pessoa. E em vários momentos, me senti uma caipira, de fato.

Primeira vez no avião: desconfortável. Primeiro dei risada porque me contaram histórias cabulosas sobre a pressão nos ouvidos que pensei que ia escorrer sangue pelas orelhas. Tontura em função do estômago vazio (na correria não se come!), uma little Lyra chegando em Guarulhos, na selva de pedra mainstream que é São Paulo.

Sobre São Paulo: fiquei pouco demais, não fui em bar nenhum praticamente e engoli goela abaixo só esfiha do habbib's que era o que dava tempo e tinha perto. Conheci pessoas muito legais, outras nem tanto, algumas loucas e outras normais. Andei na Av. Brigadeiro Faria Lima segurando macarrão e budweiser nos braços, porque os três tobós de mola (Cirilo, Mari e eu) esqueceram que em SP não se tem mais sacolas nos mercados, quando resolvemos economizar na grana e na sola do sapato (e no dinheiro do táxi e no tempo extremamente curto) fazendo almoço em casa. Almocei espaguete com carne na sexta-feira santa e tomei devassa (e vodka depois).


Uma cidade com cheiro de comida velha e muitos prédios: essa sou eu me sentindo caipira e com saudade da terrinha. Um lugar incrível que tem milhares de pessoas e coisas pra fazer e que me anima de pensar: eu desbravadora. Meio esquizofrênica, segui pro festival. 

Minha câmera não colaborou nada, as fotos ficaram bem ruins. Show do Cage the Elephant: LINDO, FODA, SENSACIONAL. A cada mosh do vocalista, Cirilo soltava "QUE CARA LOOOUCO!", e Macarena só que olhava meio abismado para a performance. Mari pirou no show. Dancei na grama como se estivesse na pista, no dancefloor. Cantei "Aberdeen" a plenos pulmões, e meus amigos à minha volta. Senti um momento genuíno de felicidade que durou músicas inteiras e é isso que mais me importa. E tudo que deu errado no final deu certo e foi tudo lindo, tudo mesmo. Me realizei em muitas ocasiões, tive certeza do que quero e que amo muito, demais, meus amigos. Parece bobagem, e é, e ao mesmo tempo não é. É vontade. 


Depois, correria para o Foo Fighters, e tudo passou muito rápido, os outros shows pareceram bons mas menos relevantes, com gosto de prelúdio saboroso, mas apenas prelúdio. E o show, lindo, emocionante. Lágrimas durante Walk, verso "Do you remember the days / We built these paper mountains / And sat and watched them burn / I think I found my place / Can't you feel it growing stronger / Little conqueror" cantado com toda a energia que tirei não sei de onde, a plenos pulmões. Catarse, vontade de explodir em mil pedacinhos, me sentindo plena e agradecendo mentalmente ao universo por tudo que me aconteceu nos últimos seis meses. Fiquei sem palavras. As outras foram lindas demais também.

Joan Jett subiu ao palco, e eu nem fiquei mais chateada por ter perdido o show dela pra cuidar lugar pro FF. Foi lindo de se ver também.

Em Everlong, que fechou o show, lembrei de 2009, ouvindo essa música em direção à Dourados, no ônibus, pensando no que seria de mim e se seria capaz de superar todas as merdas que haviam me acontecido. Precisei de três anos pra pensar naquele momento novamente, e ter certeza de que ficou, mesmo, pra trás.

Gosto de felicidade misturado ao cansaço na volta. Mais certeza de que as coisas vão dar certo, mais feliz por ter realizado mais uma coisa bacana. E querendo trabalhar pra que tudo que planejei dê certo, incansável. Because I believe I've waited long enough. 


Obrigado, Dave. A gente se vê na próxima.