Páginas

Mostrando postagens com marcador 2013. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2013. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de dezembro de 2013

Um 2013 muito l0k0

"Viver é lidar com as adversidades", disse minha avó, olhando plenamente pra mim. Nós estávamos na piscina da casa da minha madrinha em Maringá (PR), apenas brisando com vista pra um sol se pondo, no dia 26 de dezembro. Assim que sinto esse ano que passou. Pode ir, 2013. Já deu de você. Não te quero mais. 


Essa não é mais uma postagem reflexiva de um ano novo muito l0k0. É um batuque dentro do peito avisando: as adversidades, elas nunca cessam. Viver é isso. Encarar o ~rolê~ é isso. E até quando a gente vai ficar mandando recado e indireta pra si mesmo e o mundo falando "vamos guardar as coisas boas e filtrar as ruins para o ano que vem"? filtrar é o caramba, filho. Porque sem as adversidades, nós não seríamos nada

Eu terminei esse ano com muito mais dúvidas do que comecei e com um aprendizado muito maior também. Em janeiro eu decidi embarcar numa trip louca chamada "virar repórter". Minha rotina mudou e em pouco tempo eu já me sentia 100% adaptada à essa vida de descobrir a cultura nos mais escuros becos de um estado vidrado em sertanejo. Eu apenas quero dar voz aos outros, é minha obrigação. E isso vai continuar em 2014, mesmo quando desanima, mesmo na hora dos jabás, mesmo nos momentos que a fonte não te atende e você não entende nada do que seu editor tá dizendo. Vambora. 


Em março, eu tive um dos momentos de felicidade mais pura que tive em 2013. E é preciso dizer que essa pureza de sentimentos foi rara. Na verdade aquele momento foi o principal. Meu aniversário no show do Queens of the Stone Age, em São Paulo, no Lollapalooza. O sentimento transbordou em mim naquela plateia, e eu era aquela música tocando, eu era "Hangin Tree", "Round the hangin tree / Swaying in the breeze / In the summer sun / As we two are one / Swaying". Eu queria que 2013 tivesse sido um loop daquele instante. 



Em 2013 vários amigos muito queridos mudaram daqui. Outros voltaram. E agora no finzinho do ano eu conheci duas menines que vão ficar no meu coraçãozinho, e uma delas me tatuou. Eu queria, de algum jeito, marcar na pele esse sentimento ansioso que eu guardo e que fica pulsando e explodindo no meu peito o tempo todo. Explode quando tomo decisões sobre a minha vida, explode quando eu me sinto sozinha, quando escrevo. E tive a honra de ser tatuada por uma delas, que traduziu esse sentimento com sua mão leve e seu riso maravilhoso enquanto marcava a frase escolhida, do Lou Reed, pra que eu nunca esquecesse do que é necessário: dê uma volta no lado selvagem da vida. Coloque mais pimenta. Mais riso, mais choro, mais tudo. 


Só tem uma coisinha que me deixou triste no final do semestre: a escrita que eu deixei de lado. Deixei o blog de lado por motivos de tempo, de correria, de exaustão. Mas em contrapartida colaborei com as meninas no Universo Desconstruído, que eu sinto orgulho de ter participado. E espero colaborar de novo em 2014. Então, pro ano que vem, não quero nada além, nenhuma frase feita. Só quero ter forças pra escrever mais e melhor. Mais visceralidade, mais verdade, sempre sangrando e nunca, nunca me conformando com as letras que vejo superficialmente. Vou sangrar muito e quero tudo isso por escrito. "Take a walk on the wild side"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ch-ch-ch-changes

Na ponta dos meus dedos e no meu cérebro, essa massa cinzenta que nos separa de todas as feras mas nos faz um pouco piores, estão os elementos do meu ganha pão. A minha razão de existir, de me alegrar e ainda conseguir sorrir depois de tudo. O escrever. 

Há algum tempo, eu, apaixonada e intensa, havia murchado. As situações do cotidiano do trabalho vinham me deixando chateada e desanimada. A demanda existe pra ser cumprida, mas eu não me sentia mais motivada. Alguma coisa havia secado, ali dentro de mim, como um riacho que seca no verão. Ele há de se encher novamente, mas é preciso esperar as chuvas e as monções, e todas as mudanças do vento. E eu impaciente, sem querer esperar o ânimo voltar, sem saber muito bem como retomar o gosto pelas pequenas batalhas do meu emprego, do meu ofício. 

A gente doa oito horas por dia do nosso tempo pra algum projeto, mas acaba entregando muito mais que isso. E percebi que se não fosse mais sorrindo, não adiantava. Que não ia mais vingar, e os resultados iam ser apenas meio resultados, e a insatisfação seria uma constante. Eu não podia me dar ao luxo de ter mais isso, ainda, meio torto na minha vida. A banda que não vinga, os relacionamentos amorosos que não fluem, a falta de vontade pra sair na balada, o desânimo pra lavar o carro, tudo isso pode continuar meio capenga, porque nada é sério e é tudo facilmente resolvível. Mas o trabalho, o ganhar o pão, a confiança em mim mesma e a empolgação das pequenas vitórias, ah, isso não poderia, de jeito nenhum. 



Me encontrei ansiosa sobre a decisão de deixar meu emprego de dois anos, e em silêncio. Não confiei meus sentimentos de verdade pra ninguém, e isso foi um mau hábito que desenvolvi desde que... sei lá desde quando. Acho que desde que me vi realmente sozinha. Não avisei ninguém, de início, sobre essa vontade de mudar. Mas as pessoas que me cercavam já haviam notado. Então quando parecia mais palpável, anunciei a minha dúvida. Mudar não é fácil e eu estava morrendo de medo. Medo de dar errado, de não me adaptar. Medo pelos feriados que eu não teria mais, dos domingos trabalhando, do salário que é o mesmo. 

Ansiedade me carcomendo por dentro, até o momento em que eu resolvi dizer que ia mudar. Anunciei em voz alta, na claridade. Mudei, mudei de emprego. 

Agora sou repórter de jornal impresso diário.

Eu nunca havia estado em jornal impresso. Todos os dias levo solavancos, como em tudo na vida, mas a experiência na agência me deu um escudo muito forte. Todos os dias me sinto mais recompensada pelas minhas escolhas. É lindo estar do outro lado da moeda. Saudades de todos do outro trabalho, das experiências múltiplas. A certeza de que outras virão. 

Guardei esse post com carinho durante dias antes de vir aqui e falar. É um novo momento, e amanhece de novo. Ali fora, e aqui, na minha vida.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sem metas de fim de ano, só a estrada

Nos últimos dias, eu abri isso aqui várias vezes, me deparando com o branco. Pensei em vários temas pra escrever, mas me fugiu a inspiração, a vontade. Mas dezembro se aproxima, o próximo ano se aproxima. Fiquei com vontade de desabafar o que quer que eu tenha aqui dentro

Sinceramente, eu quero muito que 2012 acabe. Por milhares de razões que nada tem a ver com renovação. Eu quero mais mesmo é dar as costas pra todas as merdas que me aconteceram esse ano. E quero abraçar e levar comigo aquilo que aconteceu de bom, e que felizmente também não foi pouco. Mas as coisas ruins, os contratempos, as amizades inexistentes, as histórias sobre ex-namorado fracassado, os momentos de angústia, de rejeição, de tristeza, isso tudo eu vou é chutar pra fora daqui e de mim. Quero nem saber. 

Os pedaços ainda estão aqui pra serem colados, mas eu não me importo. Não sinto a menor pressa. Todo o resto tá indo bem, e tem tanta coisa boa que me aconteceu durante esses 365 dias, que no final tá tudo equilibrado. 

No momento eu me sinto como a letra de Infinity, do Queens of the Stone Age (que eu verei show pela segunda vez em março, e isso me deixa feliz demais): "I got a hole and I’ll never go home / There ain’t no one thing. A new road, a new road/ You never get right back". Um buraco que não vai mesmo se fechar, então que se foda, eu vou pegar outra estrada e começar tudo de novo. E essa estrada vai passar por mim e depender somente de mim. 

E realmente, não vou prometer muita coisa pra 2013, além da matrícula nas aulas de yoga. Talvez ajudar mais gatinhos de rua do que esse ano. Com certeza trabalhar mais e melhor. E aproveitar todo mundo querido como sempre. E comer muito gelato de pistache. Ter mais empatia pelos outros. E sentir que vivo, mas cada vez mais intensamente.