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domingo, 30 de junho de 2013

Maresia

Em algum ponto dos dois últimos anos, não sei precisar muito bem quando, eu me perdi. Como quando  uma ventania que te carrega pra todos os lados. Essa minha ventania, me fez perder até quando me recordo. Hoje eu sei disso. Sei lá, eu só sei que perdi. Perdi o viço do sorriso e hoje ele é meio irreal. Crio e cultivo uma couraça esfarelenta todos os dias na porrada cotidiana. 

A onda veio, levou quase tudo embora e eu fiquei com a maresia salgada. Fiquei lá na beirada do rio olhando a água turva sem reconhecer nada mais do que um marrom alagado. Sem bossa. Sem novas. 

Não faz sentido. 

Não, a vida não pode ser tão ordinária assim, tão macilenta assim, pensei um belo dia. Faz tempo também e eu mesma não acreditei por muito tempo nas minhas palavras. 

"Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais.
Mais do que eu". 

Coitada da menina que cai no canto de ossanha. Acho que eu cai. Na maresia ela me chamou e eu fui naquela conversa de esquecer a tristeza de um amor, de ir e sofrer e morrer e viver. 

Ficou só a espuma. 

Aqui, aqui e aqui


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Florbela fala comigo

Há algum tempo tenho estado quieta no meu canto. Sem sair por aí, sem me estressar. Contida na casquinha.

O ócio me pega pelo pé e traz junto o mau humor, então como uma forma de estratégia voltei a ler várias coisas pelas quais sou apaixonada faz tempo, como Sandman. Tenho dedicado tempo à redescoberta.

Aos 16 anos, eu gostava muito das poesias de Florbela Espanca, pela visceralidade, o tom de urgência, esse pulsar de palavras. Eu sempre fui urgente, assim, também. Pressa, ansiedade, pluralidade de sentimentos e reações. 

A portuguesa que morreu cedo, aos 36 anos, teve uma vida intensa e conturbada. Assim são os poemas dela: quando falam de amor, é forte, delirante, intenso, cheio de paixão. E quando falam de perda, de tristeza, é na mesma intensidade dolorosa e causticante.

Se é pra ser, que seja assim, cheio de vida. Que haja dor, sentimentos, furor. Que haja tudo.

"...Digo os anseios, os sonhos, os desejos 
Donde a tua alma, tonta de vitória, 
Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 
Sobre os brocados fúlgidos da glória, 
São astros que me tombam do regaço!". 

PS: Me lembro sempre da minha nega Re, quando lembro de Florbela.