segunda-feira, 21 de abril de 2014

O adeus a Gabo

Me faltou um pouco de coragem pra falar da morte do Gabo. Ele é meu autor favorito. Não tem outra pessoa na ~listinha~ no número um. É claro que gosto de centenas de escritores e escritoras, mas ele... doeu.

A televisão da redação ligada na Globo News. Eu concentrada na edição das páginas do dia. E alguém vira e fala "Gabriel Garcia Marquez morreu". Meu grito cortou a redação e eu fiquei em pé num rompante. Os olhos ficaram meio úmidos. Cabeça ficou zonza. As pessoas vinham falar comigo coisas cotidianas e eu não conseguia assimilar. "Deu no El País", alguém completou.

Abri imediatamente a notícia e li assiduamente. Um longo obituário. Continuava doendo. Abri imediatamente o bloco de notas e comecei a escrever a minha última homenagem à Gabo. Virou uma matéria:


Cheguei em casa pensando em falar pro meu pai: "Pai, o Gabriel morreu". Ele ia entender na hora, porque esse é nosso maior e melhor vínculo. Meu pai me deu um livro velho e encardido chamado "Cem anos de solidão" pra ler quando eu tinha 13 anos de idade. Eu conclui a leitura em pouco mais de três dias, numa tarde chuvosa e cinza como qualquer uma daquelas em que choveu anos sem parar em Macondo.

Eu nunca mais fui a mesma depois que li esse livro. Isso eu sempre tive muito claro pra mim. Sei que, quando ele partiu, choveu novamente em Macondo. Borboletas amarelas pousaram no resto túmulo de algum Buendía que sobrou do furacão.

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