terça-feira, 12 de junho de 2012

O depois dos discos


Tenho o costume de que se gosto de uma única música de um disco, baixo ele todo - ou a discografia toda daquele determinado artista - e guardo ali, na playlist, sem dar muita bola de início. Tem de tudo nesse set: toda a discografia do Queens of the Stone Age e o que eu chamo de 'adjacentes' (projetos dos integrantes como a Desert Sessions e Them Crooked Vultures, e também o Eleven); dois discos do The Dead Weather; alguns albuns do Nação Zumbi, principalmente os dois últimos, meus favoritos; tem trilha de Kill Bill vol. 1 e 2 e My Blueberry Nights; tem Nirvana, tem Chico Buarquetem Black Drawing Chalks, The Black Keys, Kyuss, Mars Volta, Pixies, Faith No More, Melissa Auf der Maur e mais um montão de coisas. 

Quem me ensinou a gostar de um monte dessas bandas foi uma das pessoas mais queridas da face da terra, que é a Sabrina, meu mans que voltou pra Niterói há uns três anos. Ela me passou um pendrive cheio de discos de bandas que ela amava e eu incorporei tudo na minha playlist. E tem muita coisa que eu ouvi só recentemente. 

A primeira coisa que me deixou apaixonada da playlist da Sah foi Massive Attack. Passei um ano inteiro ouvindo 'Mezzanine', o disco de 1998, trip hop "sombrio". Durante 2010 inteiro eu me prendi a esse único álbum, revi os clipes um monte de vezes, pensei a respeito das letras e elas faziam muito sentido. Mas o que mais me lembrava a Sah era Interpol, e os dois discos que ela me passou deles. A gente costumava, em 2009, sentar no apartamento dela, naqueles sofás azuis toscos da Casas Bahia, fumar um cigarro, e ouvir todos esses discos. Mas durante muito tempo ouvi duas músicas e deixei pra lá. 

Não fazia sentido. Músicas bonitas, e só. Me lembrava a minha amiga longe, era meio dolorido, porque sinto muita saudade da amizade dela e do que ela é pra mim. Mas passava batido. 

No final de 2011, Massive Attack me trouxe de volta, mas um outro álbum, mais recente, o 'Heligoland' (2003). O ano virou, e entrei de cabeça no 'Beat the devil's tattoo' do Black Rebel Motorcycle Club, que representava outra fase. Menos triste, menos densa, menos sombria. Mais intensa e cheia de vontade e certa selvageria. Eu era a própria "Aya" (faixa nº 10), e ouvi cada música uma centena de vezes. As pessoas me mandavam músicas e discos e artistas e eu simplesmente ouvia uma vez e depois voltava pro mesmo disco. Looping inerente à minha personalidade. 

As coisas mudaram bruscamente, e esse disco já não fazia sentido. Nenhum deles fazia, todos apenas soavam e nada me perfurava, me prendendo às letras e melodias. Fiquei nesse limbo por algum tempo. 

Então me lembrei da playlist da Sah, e recorri à ela sem pensar duas vezes. O legado que ela me deixou com todas aquelas canções. E os discos do Interpol estavam lá, me esperando, os favoritos dela: "Antics" e "Turn on the bright lights". E agora fazia tanto, mas tanto sentido, que senti mais de um arrepio no corpo enquanto o som alto no fone de ouvido predominava, as palavras me tomavam e eu começava a jornada de descobrir as camadas do som, as texturas dos arranjos e os detalhes do enredo sonoro. 

Ainda estou presa ao Interpol, e ele vai marcar uma fase que vai passar. E virão outros discos que só farão sentido depois, muito tempo depois. E outros 'depois' também virão. 

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